Cronologia selecionada e resumida da história do conflito israelense e  árabe-israelense no período entre 1897 e 2019

Professor Ken Stein 29.08.2019 ©

  • Até os anos 1800, os judeus mantêm uma ligação histórica com a Terra de Israel; o povo judeu sustenta a identidade judaica na diáspora; o antissemitismo episódico, porém regular, contribui para que os judeus vivenciem determinadas situações em comum.
  • A área pertencente ao Israel da antiguidade não era um Estado independente ou uma entidade política no século XIX, e sua condição não sofreria mudanças até o final de 1920. 
  • 1882 – Primeira Aliá – judeus retornam para se estabelecerem na Terra de Israel.
  • 1884-1896 – O julgamento e condenação equivocada de Dreyfus, um capitão judeu do Exército francês, estimula Theodor Herzl a escrever O Estado Judeu, salientando a necessidade de os judeus se liberarem do antissemitismo por meio da criação de um Estado moderno próprio.
  • 1897 – Realiza-se o Primeiro Congresso Sionista, o sionismo emerge como um movimento nacionalista judaico; todavia, com pouco acolhimento por parte dos judeus mundialmente. A partir de 1870, observa-se o estabelecimento de pequenos assentamentos judeus na Palestina.
  • 1901 – O Fundo Nacional Judaico é criado com o objetivo de comprar terras e assentar judeus na Palestina. Entretanto, o número de judeus abraçando o sionismo é diminuto.
  • 1903-1905 – Uma onda de revoltas antissemitas atinge a Europa Oriental; estes “pogroms” lembram os ataques previamente sancionados pelos governos contra os judeus. 
  • A maior parte da população árabe presente na área que mais tarde se tornaria a Palestina vive da agricultura de subsistência, sendo que um pequeno número de proprietários de terras e elites urbanas lideram a política local, de forma similar ao restante das áreas do norte do Egito, se estendo até onde atualmente estão localizados o Líbano e a Síria.
  • 1917 – Por meio da Declaração Balfour, os britânicos concedem legitimidade aos sionistas para o desenvolvimento de um lar nacional na Palestina; o processo é iniciado de forma lenta, meticulosa e resoluta. Os árabes na Palestina decididamente opuseram-se a conceder aos judeus qualquer tipo de privilégio político na Palestina.
  • 1922 – A Liga das Nações, criada após a Primeira Guerra Mundial com o objetivo de trazer a paz à Europa e áreas conquistadas na guerra, estabelece administrações ou mandatos para a Grã Bretanha e a França, e Londres tem controle sobre o Iraque, a Jordânia e a Palestina a partir deste momento.
  • 1937 – Em resposta ao prolongado período de violência entre árabes e judeus na Palestina, a Grã Bretanha sugere que a área da Palestina seja dividida em dois Estados, acreditando que atrito entre judeus e árabes seja em decorrência de viverem juntos — pela primeira vez sugere-se uma solução de dois Estados; os árabes rejeitam a ideia. Os sionistas continuam a implantar uma certa infraestrutura para o estabelecimento de um Estado, vinculando os imigrantes às novas terras adquiridas dos árabes. A modesta economia judaica se desenvolve graças aos importantes influxos de capitais estrangeiros, auxiliando no crescimento econômico. Os judeus dos Estados Unidos não demonstram entusiasmo com o sionismo. 
  • 1939 – Dramaticamente, os britânicos abrandam o desenvolvimento do Lar Nacional Judeu, acalmando assim a ira da população árabe dos Estados vizinhos com respeito ao estabelecimento de um Estado judeu. Os líderes árabes palestinos rejeitam a oferta britânica de um Estado árabe majoritário na Palestina em dez anos. Os líderes árabes não querem nenhuma presença política de judeus na Palestina. Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu, a população judaica na Palestina ultrapassava 450.000 habitantes. Isto representa mais de dois terços do total da população judaica presente no país quando Israel foi declarado Estado, em 1948. 
  • 1939 – 1945 — Os nazistas na Europa matam 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Os judeus não conseguem refúgio para serem salvos; a profunda necessidade de estabelecer um Estado é reafirmada pelos judeus, particularmente os sionistas. 
  • 1945 – 1948 – Oposição persistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos contra o estabelecimento do Estado judeu; líderes árabes veementemente rejeitam a proposta sionista que propunha uma solução de dois Estados na Palestina. A Liga Árabe diz que apenas uma guerra determinará o desfecho da competição entre sionistas e árabes na Palestina, “mesmo se a Palestina for perdida”.
  • 1947 – As Nações Unidas pedem o estabelecimento de um Estado judeu e um Estado árabe na Palestina, conectados por união econômica; Jerusalém permaneceria governada independentemente por uma comunidade internacional; os judeus aceitam a partilha (p. ex. um Estado judeu). Os Estados árabes e muçulmanos rejeitam a solução de dois Estados.
  • 1948 – Israel declara independência e torna-se um Estado judeu.
  • 1948 – Truman reconhece Israel, embora não com entusiasmo, uma vez que o Departamento de Estado dos Estados Unidos era contrário ao estabelecimento do Estado judeu, temendo que os árabes pudessem se distanciar nas suas relações com os Estados Unidos; a União Soviética reconhece o Estado judeu como forma de apressar a saída da Grã Bretanha da região.
  • 1948-1949 – Guerra árabe-israelense – as fronteiras do Estado judeu ao final da guerra ficam 37% maiores do que havia sido originalmente estipulado pela ONU em 1947; não há a criação do Estado árabe na área da Palestina, com a Jordânia controlando a maior parte do território destinado ao Estado árabe; o fim do conflito resulta em um contínuo “estado de guerra” entre Israel e os Estados árabes; sem tratados firmados. Setecentos e trinta mil palestinos abandonam a área que agora é ocupada por Israel. Jerusalém torna-se uma cidade dividida, controlada pela Jordânia e por Israel.
  • 1948-1952 – Oitocentos mil judeus que vivem em territórios árabes imigram e se estabelecem em Israel após sofrerem intimidações nas mãos dos líderes árabes, os quais acreditam que todos os judeus apoiam o novo Estado sionista. A organização predecessora do AIPAC (The American Israel Public Affaires Comitê – Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel) é fundada. A Jordânia está preparada para assinar um acordo com Israel em 1951, entretanto, foi abortado quando o rei jordaniano Abdullah foi assassinado em Jerusalém. 
  • 1950 até final dos anos 1970 – Os judeus dos Estados Unidos não se sentem empolgados com a insistência dos líderes israelenses ao dizerem que todos os judeus devem imigrar para Israel. Fracassa a tentativa dos Estados Unidos para diminuir o interesse nuclear de Israel. O país passa por uma situação econômica difícil em decorrência do boicote árabe e das dificuldades causadas pela absorção de dezenas de milhares de imigrantes judeus. 
  • 1956 – Guerra de Suez; com o conluio da França e da Grã Bretanha, porém sem a ajuda física destes países, Israel varre o Sinai em cinco dias. O Estados árabes acreditam que o sucesso de Israel não poderia ter sido alcançado sem o auxílio dos britânicos.
  • 1957 – Eisenhower faz pressão para a retirada israelense do Sinai enquanto a ONU coloca à disposição uma força de emergência internacional no local para proteger os direitos de navegação israelenses; o secretário de Estado, Dulles, fica irritado com Israel, mas também chega à conclusão de que o país precisa da proteção dos Estados Unidos com respeito aos armamentos, e trata Israel como um ativo estratégico à medida que a influência da União Soviética cresce no Oriente Médio.
  • Final dos anos 1950 – Os EUA iniciam o fornecimento limitado de armas para Israel, em parte porque os Estados árabes estreitam ainda mais os laços com a União Soviética; os EUA ainda preocupam-se com a meta de Israel de atingir a capacidade nuclear.
  • 1967 – Os Estados árabes ameaçam fortemente destruir Israel; antecipadamente, Israel ataca os Estados árabes para obter vantagem militar, temendo por sua sobrevivência; Israel quintuplica de tamanho, assumindo o controle de Jerusalém Oriental, da Cisjordânia, da Faixa de Gaza, de partes das Colinas de Golã (Síria) e toda a Península do Sinai (Egito). A resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU é aprovada, tornando-se um arcabouço para negociações futuras; ela pede o reconhecimento de todos os Estados da região em troca da devolução dos territórios adquiridos por Israel na Guerra de 1967. Os israelenses ampliam a municipalidade de Jerusalém, abrangendo a Cidade Velha e alguns bairros árabes ao norte, sul e leste das áreas controladas por Israel antes da Guerra de 1967. Não há negociações de tratados entre árabes e israelenses ao final da guerra.
  • 1967 – Após a guerra, os Estados árabes dizem em unanimemente: “não à paz, não à negociação e não ao reconhecimento” de Israel. Os primeiros assentamentos judeus são formados nas Colinas de Golã e proximidades de Hebron. Israel dá início a cinquenta anos de perspectivas divididas sobre a posse da Cisjordânia e de outros territórios. 
  • 1969 – Plano Rogers “a retirada dos territórios ocupados e volta às fronteiras de 1967” é a sugestão proposta pelo secretário de Estado dos EUA — Israel é surpreendido pelo plano levado a público e rejeita a ideia, pois acredita que seus interesses não estão representados. Israel deseja ter controle próprio sobre seu destino, suas fronteiras e o ritmo de suas negociações de paz com os vizinhos.
  • 1970 – Israel auxilia a Jordânia militarmente quando o regime do rei Hussein é ameaçado por guerra civil e uma possível invasão da Síria.
  • 1971 a 1973 – Os EUA empenham-se na sondagem de negociações entre Egito e Israel, mas sua administração não as inicia.
  • 1973 – No dia de Yom Kipur, a Síria e o Egito atacam Israel simultaneamente. Sadat, o presidente egípcio, está interessado na combinação de uma guerra militarmente limitada com a diplomacia como forma de liberar o Sinai; a Síria interessa-se em destruir Israel; Cairo e Damasco observam o envolvimento dos EUA de uma forma diferente. O Egito opta por Washington, não pela Síria. 
  • 1973 – Os EUA fazem o reabastecimento militar de Israel – após sofrer o golpe inicial, Israel reprime o ataque surpresa – ao término da guerra, Israel estava a 40 km de Damasco e a 100 km do Cairo; os generais israelenses e egípcios negociam um acordo de desengajamento. Kissinger dirige a Conferência de Genebra para a Paz no Oriente Médio – inclui a participação da URSS, mas os EUA lideram as negociações e excluem os países europeus e a ONU da mediação de disputa. A Síria, fica enfurecida com as negociações entre Egito e Israel. 
  • 1974 – Kissinger continua a mediação das diferenças entre Egito e Israel, resultando no desengajamento militar entre os países, e também convence a Síria a chegar a um acordo com Israel. Após cinco meses, o embargo petrolífero árabe, imposto aos EUA por apoiarem Israel durante a Guerra de 1973, é suspenso.
  • 1975 – o presidente americano, Ford, suspende temporariamente a transferência de armas para Israel em virtude da não retirada imediata além do Sinai. O impasse é resolvido e os EUA mediam o segundo acordo entre Egito e Israel; a ajuda é restabelecida; os EUA colocam suas tropas no Sinai e monitoram a separação das forças militares entre egípcios e israelenses; o Egito reabre o Canal de Suez como um sinal de volta à “normalidade”.
  • 1977 – O presidente americano, Carter, pressiona Israel e os Estados árabes a participarem de uma conferência para a paz no Oriente Médio, mas tanto Sadat como o primeiro-ministro israelense, Begin, preferem ter conversações diretas e bilaterais. Sadat viaja a Jerusalém e choca o mundo árabe, o qual rejeita qualquer tipo de reconhecimento ou negociação com Israel. Sadat é recebido calorosamente pelos israelenses. As conversações diretas entre israelenses e egípcios não tiveram resultados significativos, fazendo com que os EUA envolvessem o Departamento de Estado e o Salão Oval nas mediações.
  • 1978 – A reunião de Camp David, entre Sadat, Begin, Carter e auxiliares, resulta na assinatura de dois acordos entre Egito e Israel. O primeiro determina o autogoverno ou a autonomia para os Palestinos sob o controle israelense. O segundo serve como esboço para um tratado de paz entre egípcios e israelenses. As contínuas negociações para se chegar a um tratado entre Egito e Israel avançam lentamente, com poucos progressos na implementação do autogoverno palestino. Os israelenses recusam-se a abandonar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza para permitir o estabelecimento de uma entidade ou um Estado Palestino. A administração de Carter ficou bastante enfurecida e decepcionada com o governo de Begin; ainda assim, Sadat e Carter reconhecem que a negociação e a assinatura de um tratado entre egípcios e israelenses é uma prioridade absoluta. Arafat recusa-se a participar das conversações com os EUA.
  • 1979 – O Tratado de Paz entre Egito e Israel é assinado; a disposição de Sadat em realizar um “acordo de paz em separado” com Israel, incluindo o reconhecimento da soberania israelense deixaram os outros Estados árabes e muçulmanos ainda mais enfurecidos; o Xá do Irã deixa o país devido a agitações e problemas de saúde; Khomeini, o líder islâmico religioso radical, retorna ao Irã; ele fortalece a hegemonia política islâmica além das fronteiras do Oriente Médio. Israel e Egito mantêm a “paz fria”, apesar da troca de embaixadores.
  • Anos 1980 – A administração de Reagan considera Israel um ativo estratégico; as conversações sobre a autonomia Palestina não chegam a lugar nenhum; Israel constrói assentamentos na Cisjordânia e Faixa de Gaza, mesmo com a oposição dos EUA; a Europa oferece ideias preliminares para a negociação do fim do conflito na Declaração de Veneza. 
  • 1981 – Os EUA vendem aviões Awacs para a Arábia Saudita, apesar do forte protesto israelense; Israel faz a retirada quase total do Sinai, em cumprimento ao tratado egípcio-israelense. Reagan difama Israel por ter destruído o reator nuclear iraquiano; Sadat é assassinado por militantes islâmicos; seu sucessor, Husni Mubarak, permanece fiel ao tratado feito com Israel.
  • 1982 – O Plano Reagan busca promover a união futura da Cisjordânia com a Jordânia; Israel fica surpreso e irritado por não ter sido consultado antes do anúncio do plano. Uma vez mais, Begin e Israel não querem que lhes seja dito como negociar e o que conceder nas negociações.
  • 1982 – Israel invade o sul do Líbano com o objetivo de destruir a infraestrutura da OLP no território libanês; Reagan repreende Begin por deslocar as tropas israelenses até Beirute; a Marinha americana escolta Arafat para fora de Beirute – a OLP muda sua sede para a Tunísia.
  • 1983 – Acordo assinado entre EUA e Israel declara o valor estratégico deste país para os EUA; EUA asseguram vantagem militar qualitativa no suprimento de armas a Israel em detrimento dos países árabes vizinhos.
  • 1986 – 1995 – Mais de um milhão de judeus russos imigram para Israel.
  • 1987 – A principal revolta palestina (intifada) contra a ocupação israelense ocorre repentinamente; a revolta continua até 1992, com atos de violência sendo praticados contra a população civil israelense, o que provoca represálias de Israel contra os palestinos.
  • 1988 – Os EUA iniciam diálogo com a OLP sem comunicar o fato a Israel, com a esperança que a OLP abandone o terrorismo e reconheça Israel. A OLP aceita a Resolução 242 do Conselho de Segurança das Nações Unidas e renega o terrorismo. O Hamas, organização de militância islâmica na Palestina, em sua carta de princípios, diz que todo o território do lado ocidental do Rio Jordão é território muçulmano e rejeita qualquer tipo de ideologia sionista; o rei Hussein anuncia sua intenção de desengajamento político da Cisjordânia, deixando a OLP preencher esta lacuna política.
  • 1989 – 1992 — As relações entre EUA e Israel tornam-se cada vez mais frias com relação à questão dos assentamentos israelenses. Um grupo de historiadores israelenses publica livros em que culpam o comportamento de Israel entre 1947 e 1949 pela condição da dispersão palestina.
  • 1991 – 1992 – Administração Bush – Iraque invade o Kuwait, com o presidente iraquiano alegando que ele também estava a caminho de “liberar” a Palestina. Iraque dispara mísseis na Arábia Saudita e em Israel. A soberania do Kuwait é restaurada, o Iraque é derrotado e Israel suspende a retaliação militar contra o Iraque. Israel ganha a simpatia dos Estados Unidos por conta da sua atuação. A Conferência de Paz de Madrid se desenrola com negociações bilaterais entre Israel e cada um dos países árabes vizinhos, e com a presença de palestinos na delegação da Jordânia; ocorrem conversações multilaterais sobre assuntos de relevância atual, como água, refugiados, fronteiras e desenvolvimento econômico, entre Israel, os Estados árabes e a comunidade internacional. Nenhum acordo é alcançado na Conferência de Paz de Madrid.
  • 1992-1993 – Negociações secretas entre a OLP e Israel evoluem, dando origem aos Acordos de Oslo, assinados no jardim da Casa Branca em 1993 – ocorre o reconhecimento mútuo entre a OLP e Israel – Israel concede à OLP o autogoverno na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Nada é dito sobre os assentamentos; a Autoridade Palestina (AP) é constituída para governar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, a OLP não é dissolvida. Yasser Arafat permanece como chefe das duas organizações políticas palestinas.
  • 1994 – Tratado de Paz Jordânia-Israel é assinado; os EUA não atuam significativamente neste tratado; Jordânia e Israel notam a presença de importantes interesses mútuos. Prossegue a cooperação entre os exércitos e os serviços de informações da Jordânia e de Israel.
  • 1995 – O primeiro-ministro israelense, Ytzhak Rabin, é assassinado por um radical de direita israelense, indignado com Rabin por ter assinado os Acordos de Oslo e possível concessão da Cisjordânia (Judeia e Samaria) ao controle palestino. 
  • 1996 – 1999 – Frieza no relacionamento entre Clinton e Netanyahu; prossegue o crescimento e a expansão dos assentamentos israelenses. 
  • 2000 – Realiza-se a cúpula de Camp David II; sem negociações prévias, nenhum tipo de acordo é alcançado; Arafat, líder da OLP, não está disposto a aceitar as propostas para um acordo diplomático feitas pelo primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, para o fim do conflito 
  • 2000 – Clinton tenta retomar o diálogo entre Síria e Israel, mas não consegue direcionar os dois países a um acordo; a segunda maior intifada (revolta) palestina eclode contra a população civil israelense na Cisjordânia e em áreas anteriores à Guerra de 1967.
  • 2000 – 2001 – Clinton deixa o poder após apresentar uma proposta de negociação. Nenhum acordo é firmado. 
  • 2001 – Israel começa a construção do “muro/barreira” de segurança ao redor das fronteiras existentes antes de 1967, onde estão localizados muitos assentamentos judeus, estabelecidos na então “Linha Verde” ou Linha do Armistício, que delimita as áreas da Cisjordânia ocupadas por Israel antes de 1967; em consequência, os ataques terroristas contra Israel foram drasticamente reduzidos no decorrer da próxima década em diante. A comunidade internacional condena Israel pela construção da “barreira/muro”. Existe o temor de que a “barreira/muro” venha a se tornar de fato a fronteira entre Israel e qualquer entidade política palestina. O esforço ativo para a deslegitimação política de Israel, provocada por encontros internacionais organizados por progressistas, é agravada pelo crescimento da população árabe e o antissemitismo islâmico. 
  • 2002 – O presidente Bush sugere a solução de dois Estados para o conflito palestino-israelense; a Resolução 1397 do Conselho de Segurança das Nações Unidas aprova a solução de dois Estados; esta é a primeira vez que as Nações Unidas sugerem esta solução.
  • 2002 – Os Estados árabes pedem a normalização das relações com Israel, mas permanecem indefinidos sobre a solução da questão dos refugiados palestinos; Israel não aceitará o retorno dos árabes palestinos dentro dos limites anteriores a 1967, temendo o fim da maioria judaica no Estado.
  • 2003 – Mapa do caminho para a solução de dois Estados sugerido pelo Quarteto – União Europeia, ONU, Estados Unidos e Rússia – linguagem ambígua; Hamas rejeita o plano sem refletir; Israel aceita algumas condições sugeridas, mas com reservas por causa da inexistência de uma solução definitiva sobre os refugiados palestinos. Vários países da União Europeia demonstram desagrado crescente por Israel em decorrência do contínuo aumento dos assentamentos.
  • 2004 – Carta do presidente Bush a Sharon — os EUA afirmam que as fronteiras de Israel podem ser maiores que as de 1967; morre Arafat, líder da OLP por muitos anos. Árabes palestinos permanecem ideologicamente divididos se devem ou não negociar e reconhecer Israel. Hamas diz que não, nunca. O primeiro-ministro israelense, Sharon, aceita publicamente a ideia da solução de dois Estados para o conflito. A intifada palestina termina lentamente, mas os ataques palestinos a Israel continuam. 
  • 2005 – Israel retira-se unilateralmente da Faixa de Gaza e de quatro pequenos assentamentos na Cisjordânia, esperando facilitar a normalização entre a Autoridade Palestina e a OLP; nove mil israelenses que viviam em assentamentos saem de Gaza. 
  • 2006 – Israel e Hezbollah travam 34 dias de guerra no Líbano – o conflito não produz alterações geográficas. Hezbollah é reabastecido com armas do Irã, vindas pela Síria.
  • 2006 – Hamas derrota o Fatah nas eleições do Conselho Legislativo; a corrupção na liderança do Fatah afasta muitos eleitores palestinos. 
  • 2007 – Hamas retira o controle da OLP e da Autoridade Palestina sobre a Faixa de Gaza durante um golpe violento e militariza a região, que passa a ser usada para o lançamento de foguetes e infiltrações de ataques contra Israel.
  • 2007 – Conferência de Anápolis – negociações entre palestinos e israelenses têm início, mas não conseguem terminar o conflito, não há acordo, palestinos buscam a suspensão permanente de todos os assentamentos israelenses.
  • 2008 – 2009 – Eclode o conflito entre Israel e o Hamas; Israel busca a interrupção dos ataques de foguetes; o Irã continua a desenvolver a capacidade nuclear, fato que desagrada os israelenses e a comunidade internacional.
  • 2009 – Controvérsia sobre a construção dos assentamentos surge novamente entre Israel e os EUA; Barak Obama diz que os assentamentos devem ser paralisados, enquanto que Netanyahu, no discurso proferido na Universidade Bar-Ilan, pede a aceitação da solução de dois Estados, especificando a desmilitarização do Estado palestino.
  • 2009 – A ONU publica um relatório contundente e muito crítico sobre conflito recente de Israel com o Hamas, o qual tem como alvo a população civil; a seguir, o autor do relatório reconsidera as conclusões como talvez sendo tendenciosas. O Parlamento Europeu apoia a autodeterminação palestina.
  • 2010 – Os esforços de mediação dos EUA são renovados; os EUA afirmam que Israel tem o direito de ser “um Estado judeu”. Israel ainda busca iniciar as conversações com os palestinos de forma direta, bilateral e sem exigências prévias.
  • 2010 – 2011 – “Despertar” árabe – os povos árabes derrubam diversos regimes autoritários, buscando oportunidades econômicas melhores e o fim do favoritismo político e da corrupção. A guerra civil na Síria permanece violenta desde o seu início até 2019. Líderes do Egito, da Líbia, da Tunísia e do Iêmen são expulsos dos cargos. Endurecem as sanções contra o desenvolvimento da capacidade nuclear do Irã. Barak Obama pede que as negociações entre israelenses e palestinos sejam baseadas nas fronteiras anteriores à Guerra de Junho de 1967; Israel, uma vez mais, não está satisfeito com a interferência do presidente dos EUA no perfil das negociações 
  • 2012 – Israel ataca novamente o Hamas, em Gaza, em resposta ao disparo de foguetes; a violência termina após oito dias de batalhas; o líder do Hamas reafirma que Israel precisa desaparecer.
  • 2013 – Assinatura do Ato de Cooperação e Segurança entre os EUA e Israel aproxima os dois países nas questões militares e estratégicas, enquanto que a Casa Branca continua totalmente contrária aos assentamentos israelenses.
  • 2013 – O presidente Obama, em visita a Jerusalém, pede que os israelenses apoiem as negociações baseadas em uma solução de dois Estados 
  • 2013 – O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, faz esforço conjunto para a retomar as negociações entre palestinos e israelenses, e iniciar um processo que levaria à criação de dois Estados, mas, por volta de meados de 2014, seus esforços de mediação não tiveram sucesso.
  • 2013 – 2014 – Eclode confronto violento entre Hamas e Israel.
  • 2014 – O Parlamento Europeu pede o reconhecimento do Estado palestino no contexto da solução de dois Estados.
  • 2014 – EUA e Israel assinam a Lei de Parceria Estratégica; o Parlamento Europeu endossa a solução de dois Estados para terminar o conflito palestino-israelense.
  • 2015 – Os EUA e outros cinco países assinam um acordo com o Irã para limitar o desenvolvimento nuclear, relaxam algumas sanções; fortes discordâncias entre Israel e EUA sobre o mérito do acordo; controvérsia em torno do discurso proferido pelo primeiro-ministro israelense no Congresso dos EUA opondo-se ao acordo com o Irã. 
  • 2016 – EUA e Israel assinam um pacto de ajuda militar válido por 10 anos, no qual Israel receberá 38 bilhões de dólares durante este período. O governo de Obama continua a repreender Israel por causa da expansão dos assentamentos. A ONU aprova a Resolução 2334, que categoriza todos os territórios conquistados na Guerra de Junho de 1967, incluindo Jerusalém Oriental, como tópicos para negociações. 
  • 2017 – A Conferência pela Paz no Oriente Médio, realizada em Paris, enfatiza a necessidade da criação de dois Estados; o primeiro-ministro, Netanyahu, não participa da conferência. O presidente Trump e Netanyahu encontram-se em fevereiro e Trump surpreende o público: “Um Estado ou dois Estados, qualquer coisa que os israelenses e os palestinos quiserem”. Este fato marca o rompimento da tradicional postura americana de defesa da solução de dois Estados. Ao quebrar o precedente internacional, os EUA oficialmente reconhecem Jerusalém como a capital de Israel.
  • 2018 – O parlamento israelense aprova a 13ª Lei Básica, que declara Israel como Estado-Nação do povo judeu, e enfatiza a natureza judaica do Estado em detrimento de outros grupos étnicos e religiosos. Israel melhora as relações com importantes países do leste europeu e fortalece laços com a Índia e o Japão; as mulheres desafiam a recusa ao acesso para rezarem no Muro das Lamentações; Israel realiza ataques periódicos, visando ameaçar a presença e o potencial iraniano na Síria.
  • 2019 – Por meio de proclamação, Trump reconhece as Colinas de Golã como território de Israel, e causa consternação na comunidade internacional. A população atual de Israel ultrapassa 9 milhões, 74% são judeus, representando 45% da população judaica total do mundo; o PIB é 353 bilhões de dólares, ocupando o 32º lugar na classificação mundial. Em 1948, comparativamente, a população era de 806 mil pessoas, 80% eram judeus, representando 6% da população judaica total do mundo. Em abril, foram realizadas as eleições parlamentares em Israel, mas como não foi possível formar uma coalizão de 61 membros, será realizada uma nova eleição em setembro. 

Ken Stein, 1º de junho de 2019

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